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Dezoito e quarenta

O MEU VESTIDO DE NOIVA

19.06.18

20150906-197.jpgO meu vestido de noiva, o vestido que antes de ser meu foi dela, da minha mãe. 

Não procurei mais nenhum, não experimentei mais nenhum, não quis mais nenhum.

 

Nunca pensei casar com o vestido da minha mãe. Mas uns meses antes de casar, num dia de arrumações, encontrei-o no fundo armário. E foi nesse dia que olhei para ele com olhos de ver. A minha mãe estava ao pé de mim, e eu comentei com ela que o achava mais bonito ao vivo do que nas fotografias. Acrescentei ainda que aquelas mangas em  balão era um redondo não para mim mas que o tecido era lindo. Assim que disse que adorava o tecido, a minha mãe disse-me, sem pestenejar: "Então mas mudas o corte e utilizas o tecido!". Confesso, que também não demorei muito para lhe dizer que achava uma óptima ideia. A minha mãe tinha gosto que eu cassasse com o vestido dela, tive logo a certeza disso. 

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A escolha da costureira também nos pareceu logo muito simples. A pessoa que a minha mãe sempre escolheu. O meu vestido de noiva, teria que vir das mãos de fada da Rosinda que costurou para mim vestidos de menina das alianças, vestido da primeira comunhão, profissão de fé, baile de finalistas... e agora, por fim, o meu vestido de noiva! 

 

No entanto a dúvida impunha-se. Iria o tecido aguentar? Estaria em condições de receber um corte totalmente diferente do original? 

Faltavam 6 meses para o casamento e eu apressei-me em levá-lo à Rosinda, que depois de observá-lo atentamente me perguntou que corte é que eu gostaria. Confesso que tremi, afinal queria que ela me tivesse logo dito que sim, que o tecido aguentaria a transformação. Mostrei-lhe uma imagem que tinha visto no Pinterest e ela descansou-me imediatamente. Segundo ela, eu queria uma coisa simples, e garantiu-me que sabia onde levar o vestido da minha mãe para ser lavado e limpo, de forma a poder sofrer as alterações. 

E pronto, foi assim que em 5 minutos resolvemos tudo. 

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Meses depois, mais precisamente no dia 8 de Agosto, a menos de um mês de casar a minha mãe lembrou-se de me perguntar quando é que eu ia fazer a segunda prova. Oi? Segunda prova? Eu ainda nem tinha tirado medidas. Corri para o telefone para telefonar à Rosinda, que com uma voz muito calma me disse que ainda íamos muito a tempo.

Além de ter tirado as medidas, fiz apenas mais 3 provas. Uma primeira para confirmar que era mesmo aquilo que queria, uma segunda para acertarmos a cauda e para apertar, a terceira e última apenas para apertar mais um bocadinho. 

 

O mais bonito de tudo, para mim, foi o facto de muitos convidados (mas sobretudo o meu pai ter reconhecido o vestido assim que me viram. Apesar do corte estar totalmente diferente, (afinal as mangas a balão não voltaram a estar na moda, e as costas abertas são moda do agora) o mais bonito do vestido é mesmo a organza tão bem trabalhada. 

Obrigada mãe! Quem sabe um dia, venhas a ter uma neta que me roube o meu vestido, como eu te roubei o teu. 

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