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Dezoito e quarenta

18:40

01.11.17

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Durante muitos anos não soube a que horas tinha nascido.

 

Nos primeiros anos, naturalmente, não perguntei. Depois, e durante muito tempo, lembro-me de pensar que saber a hora do meu nascimento era só irrelevante. Afinal, o que eu queria mesmo é que chegasse o dia 10 de Agosto. Queria uma festa bonita, muitas prendas, os meus amigos para brincar e um bolo para partir com a ajuda dos meus pais e do meu irmão. 

 

Mais tarde, em pleno Rock in Rio (adolescência, leia-se) quis ficar a saber o meu ascendente em termos de signo, e para isso teria que saber a hora que tinha nascido. Meu deus, como fiquei horrorizada quando a minha mãe me respondeu do outro lado da linha que nunca conseguia ter a certeza! Sabia que tinha sido ao fim da tarde, que estava muito calor, que estava a fazer um bolo quando rebentaram as águas, que tinha sido bem mais fácil do que o parto do meu irmão, que a minha primeira roupinha tinha sido amarela, que no dia seguinte ela já estava na janela,... mas... mas... mas a verdade é que nunca tinha decorado a hora do meu nascimento. Deu-me duas ou três alternativas e disse-me que ia confirmar no caderno de registo da maternidade. Nesse mesmo dia, quando cheguei a casa, confirmámos no caderninho a hora. No entanto, não sei bem porquê, mas também eu não fui capaz de decorar o horário. 

 

No dia do meu casamento, há dois anos atrás, a minha mãe ofereceu-me o meu álbum de criança. Além de muitas fotografias, o meu álbum tem a minha primeira ecografia, a minha pulseirinha da maternidade e, claro, o caderninho que não nos deixa esquecer a hora: 18:40. 

 

Até à criação deste blog não soube (ou pelo menos também não tinha decorado) que o dia 10 de Agosto de 1990 tinha sido uma sexta feira. 

E desculpem, mas não há quem não seja feliz a uma sexta feira às 18:40. Estou certa? 

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